Um dia eu ainda me morro de rir das coisas que as pessoas falam, e das coisas que nascem de uma conversa de bar… ;) Começo então o projeto a seis mãos Morrer, verbo transitivo — acompanhem o desenvolvimento no blog do Adilson e no da Filomena.
Elliot Harper. Adjetivador Particular. Eram essas as letras no vidro da porta. Profissão ingrata, essa de adjetivador; minha mãe nunca entendeu minha escolha, falava que quem gosta de sair por aí adjetivando outras pessoas nunca toma um rumo próprio na vida. Talvez ela estivesse certa. Mas ela morreu, e eu me esqueci de tomar jeito.
Era uma tarde fria de outono quando ela entrou em meu escritório. Usava trajes de morfema, cuidadosamente arrumada e perfumada. Lábios vermelhos tão cheios que causariam uma bela confusão semântica em qualquer rapazote que tentasse lhe dirigir a palavra. Para preservar o seu nome, chamemos essa cliente de Morfema. E que Morfema…!
“Preciso que você fique de olho no meu marido”, disseram aqueles lábios enquanto ela ainda se sentava à minha frente. “Mas você tem que ser muito discreto”
O meu cigarro preso no canto da boca. Será que ela fuma?, pensei.
“Traição?”
“Suspeito que o problema seja um pouco maior”, disse a Morfema, abaixando os olhos. “Meu marido é o Sufixo da cidade”
Puta merda. Já tinha ouvido falar de vários escândalos envolvendo o Alto Sufixado do condado. Esses religiosos sempre se safavam por falta de provas, e os casos sempre acabavam sendo abafados. Contatos. Eles certamente tinham contatos nos jornais.
“Acusaram o meu marido de ter abusado de sílabas menores”, disse com os lábios mais vermelhos e menos cheios.
Sílabas menores! Esse Sufixo de merda só pode ser um doente. Era um caso perigoso, sem dúvida, mas ela estava disposta a me pagar mais do que o suficiente para correr o risco.
Havia algo em seus olhos que a denunciava. Ela não parecia esperar que eu comprovasse a inocência de seu marido; provavelmente queria era um bom motivo para pedir o divórcio. Já tinha visto fotos do Sufixo no jornal – era um homem feio e calvo. Provavelmente ela se casou com o sujeito antes dele ser nomeado Sufixo, mas não o amava. Isso. Ela não o amava.
Passo a bola pra Filomena!



Feio e calvo?!
[...] história toda já comecou, clique aqui para ler ou [...]
Pasmem: o WordPress me mostrou que pelo menos três pessoas chegaram nesse blog procurando por “morrer verbo transitivo” nessas máquinas de busca (i.e. Google). Pelo jeito há mais pessoas com essa dúvida!
o capitulo III já está no ar. confira(m) em http://negrados.wordpress.com/
Hahaha, Gigi, essa noite sonhei com uma conversa de bar surreal, e vc tava nela! Se Gigi não vem aos bares de SP, os amigos de SP terã que ir até a Gigi… considere-se avisada.
Ah, e coisas que eu reparo mais lendo o seu blog: is “requerido” even a real word?