O Adjetivador voltou ao Café Ulisses ainda incomodado com o arrepio que percorrera seu corpo. Parou à porta, já com um pé do lado de dentro, e ficou observando Morfema ao longe durante alguns poucos momentos. Como era estonteante a mulher! Elliot estava definitivamente apaixonado. “Uma mulher que fala ‘egrégora’…!”, pensou admirado.
Sempre teve um fraco pelas meninas inteligentes. Mas essa era diferente: era inteligente e gostosa! Sentiu uma incontrolável vontade de botar a sua boca naquele vocabulário voluptouso, de se encher de prosa com aquela Morfema intrigante para o resto de sua vida. Ou só por uma noite, tanto faz.
Acalmou-se enquanto andava em direção à mesa, mas na hora de se sentar, acabou derrubando um dos copos de chope que Morfema havia pedido. Elliot detestava fazer o papel de atrapalhado na frente de mulheres bonitas, mas parecia que quanto mais bonita a mulher, maiores as chances dele fazer alguma trapalhada. O garçom veio e limpou a mesa, sem deixar de lado a cara feia.
- Mas então, você acredita que o Medalhão não sofreu um acidente, disse Elliot.
- Bom… se você prefere usar eufemismos…
“Eufemismos!”, pensou o Adjetivador, contendo um pequeno pulo de alegria.
- Ele foi morrido, Harper. Ninguém é tão estúpido a ponto de morrer batendo a cabeça numa cômoda.
- Pode me chamar de Elliot.
Disse isso acariciando as costas da mão de Morfema, que logo sorriu. Depois recolheu sua mão, como se sentisse vergonha de estar ali, naquele lugar tão decadente, e na frente de um adjetivador decadente. Morfema pigarreou, e depois continuou:
- O que você descobriu até agora?
- Não muito. Você sabia que seu marido possui um livro publicado?
- Sim, claro.
- Er… é, é só isso que eu descobri, disse Elliot fingindo estar sem-graça. A verdade era que ele havia descoberto muito mais, mas não queria revelar à Morfema. Pelo menos não ainda.
Morfema bateu a mão na mesa, fazendo os copos tremerem. Até Elliot tremeu. Acabou se perdendo por um segundo na imaginação de uma Morfema impulsiva e agressivamente sensual. Tremeu mais uma vez.
- O tempo está correndo, Elliot. E se a confraria resolver morrer mais alguém enquanto você está aí, apenas tentando descobrir alguma coisa?!
Desconcertado, o Adjetivador pediu desculpas e prometeu agilizar o seu trabalho. Deixou o dinheiro do chope sobre a mesa e se levantou, dizendo que, como havia muito a ser feito, ele precisava dormir cedo. Mentira óbvia. Enquanto Elliot saía dali, Morfema esboçava um sorriso totalmente ambíguo.



Uau! Saiu o capítulo, minha vez agora…
Morfema tem egrégora típica ou típico?
Toda egrégora é atípica! ;)
Ref. sobre Radiohead em itaypehoe, comments! E com morrer XVI no ar.
ops, XIV.
Bom, essa é uma novela de morrer transitivo, né? Morri o sufixo? Essa é não será minh decisão, provavelmente. Notei que nessa novela, se cair e bater a cabeça, pronto: no próximo capítulo tá morto. E tiro na cabeça faz algo?